A inteligência artificial apareceu em outubro de 2026 em dois debates brasileiros sobre negócios com uma mensagem prática: a tecnologia pode mudar não só tarefas isoladas, mas também a forma como empresas encontram clientes, organizam o trabalho e desenvolvem produtos. Ao mesmo tempo, as discussões ressaltaram que rapidez não substitui avaliação humana, segurança nem entendimento do negócio.
Na Feira do Empreendedor 2026, organizada pelo Sebrae-SP no São Paulo Expo, a Arena do Conhecimento dedicou parte da programação às mudanças provocadas pela IA. Em 20 de outubro, segundo dia do evento, Regina Chamma, diretora-geral de Google Customer Solutions Brasil, apresentou uma palestra sobre o futuro da busca com IA e as oportunidades para micro e pequenas empresas. O tema foi como as ferramentas de busca podem alterar a maneira pela qual consumidores descobrem produtos e empresas — uma questão importante para negócios que dependem de presença digital para serem encontrados.
A feira reuniu palestras sobre gestão, marca pessoal e expansão de empresas, além do debate sobre inteligência artificial. A programação também incluiu empreendedores de outros setores: o chef Rodrigo Oliveira falou sobre a trajetória do Mocotó e sua relação com identidade e comunidade; Juliette abordou autenticidade e marca pessoal; e José Carlos Semenzato tratou de crescimento e expansão. A variedade ajuda a situar a IA como um dos temas da gestão, não como solução única para os desafios de empreender.
Em outro contexto, a Universidade Presbiteriana Mackenzie promoveu o IA EXPRESS nos dias 5 e 6 de outubro, durante sua Semana da Tecnologia & Inovação. O encontro reuniu docentes da Faculdade de Computação e Informática e um especialista da IBM para discutir efeitos da IA nos negócios e na engenharia de software. Entre os exemplos apresentados estavam o apoio a etapas como levantamento de requisitos, geração de código, testes e documentação. A universidade também relatou uma demonstração de uma plataforma de IA voltada ao desenvolvimento de software.
Os dois encontros apontam para uma mudança relevante para empresas de diferentes portes. No varejo ou nos serviços, a busca digital funciona como uma porta de entrada: se a forma de pesquisar e receber respostas muda, as empresas precisam acompanhar como seus clientes encontram informações e comparam opções. Para um pequeno negócio, isso pode tornar mais importante manter informações claras e atualizadas nos canais digitais e compreender quais dúvidas o público apresenta. A palestra da Feira colocou essa transformação em pauta, mas as informações disponíveis não detalham mudanças específicas em produtos de busca nem garantem resultados comerciais para quem adotar determinada ferramenta.
No desenvolvimento de software, a possibilidade de acelerar tarefas pode liberar tempo para atividades de maior valor, mas também pode aumentar o volume de código ou conteúdo que precisa ser revisado. Os participantes do IA EXPRESS destacaram que produzir mais depressa não é, por si só, sinal de que uma solução esteja correta, segura ou adequada ao objetivo da empresa. Um erro em código pode afetar sistemas e usuários; uma resposta automatizada equivocada pode levar a decisões ruins. Em ambos os casos, alguém precisa verificar o resultado e responder por ele.
Essa necessidade de controle apareceu na discussão sobre “Harness Engineering”, conceito apresentado no evento do Mackenzie. Em termos simples, trata-se de estruturar condições para que agentes de IA trabalhem com regras, validações, mecanismos de governança e supervisão humana. A ideia é evitar que a adoção se limite a entregar tarefas a um sistema sem definir o que ele pode fazer, quais dados pode usar e como seus resultados serão conferidos. O relato do evento não apresenta uma avaliação independente de eficácia nem uma comparação de custos, portanto o conceito deve ser entendido como uma abordagem discutida, não como garantia de segurança.
Para trabalhadores e consumidores, a mudança também tem um lado de competências. Os debatedores do Mackenzie apontaram pensamento crítico, capacidade de formular perguntas, discernimento e curadoria como habilidades importantes diante do aumento de informações e conteúdos gerados por IA. Na prática, isso significa não tratar uma resposta bem redigida como necessariamente correta: é preciso verificar afirmações, considerar contexto e saber quando uma pessoa deve tomar a decisão. Para consumidores, vale a mesma cautela ao usar ferramentas automatizadas para obter informações sobre produtos, serviços ou assuntos importantes.
O próximo passo para empresas não é simplesmente adotar IA por ser uma tendência, mas identificar problemas concretos que a tecnologia poderia ajudar a resolver e testar soluções em tarefas delimitadas. Isso envolve definir critérios de qualidade, proteger informações sensíveis, revisar resultados e observar se o processo realmente melhora. As fontes sobre os eventos não oferecem métricas de produtividade, custos ou retorno para essas iniciativas; por isso, não é possível concluir que uma ferramenta específica beneficie todos os negócios.
A mensagem comum dos encontros é menos sobre substituir pessoas e mais sobre redesenhar atividades com responsabilidade. A IA pode apoiar descoberta, produção e análise, mas o valor depende de objetivos claros, conhecimento do contexto e controle humano. Para pequenos negócios, acompanhar a evolução da busca digital e experimentar com cuidado pode ser útil; para quem desenvolve ou utiliza software, qualidade, segurança e supervisão continuam sendo parte do trabalho — não etapas dispensáveis diante da automação.
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